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DENDERAH, ABYDOS E AS NOVAS AVENTURAS NO EGITO

Fins de março, primeira quinzena de abril de 2008, seguimos num grupo pequeno ao Egito. Muitos lugares novos para ver, bem distantes uns dos outros, cada dia uma nova aventura em direção ao passado. Muitas coisas inesperadas e divertidas aconteceram, tais como uma loira do grupo ganhou um lindo tapete de 500 dólares! Poça miséria é muita sorte..., porém recomendo toda atenção porque por vezes dão desconto de um lado e acrescentam de novo logo em seguida de outra forma...

 

 

 

 

 

 

Vou ao Egito preparada para as maravilhas, de manhã o sol que ilumina o deserto lembra o corpo dos deuses que os antigos egípcios diziam ser dourado, o sol que nasce, o deus falcão horus que inicia sua trajetória sobre a terra. O Egito antigo está nos nossos corações, este de agora é um mundo árabe-islâmico. As antigas deusas apesar de esquecidas pelo povo ainda retratam sua grandeza nos templos, por todo o Egito de Alexandria ao Sudão. A África tem voz de mulher, Hathor, Ísis, Iansã, Yemanjá, Nanã, e mais centenas de deusas mães que saíram destas terras e do antigo crescente fértil.

Infelizmente também chego preparada para o descaso. Dia a dia o Egito vai acumulando cada vez mais lixo, pelas ruas, pelos canais, o que seria resolvido de modo prático se iniciassem um programa de reciclagem o quanto antes. Outra atitude também bem-vinda seria instalarem ao lado dos templos vaporizadores de água, nos períodos mais quentes o Egito é infernal. Logo você é integrado a “família egípcia”, porque é assim que os guias chamam os clientes por aqui, e dali em diante a “família Samuel”.  

 

 

 

 

 

 

Seguimos para as primeiras pirâmides do mundo antigo, a pirâmide vermelha e a pirâmide curva.  Depois entramos na pirâmide de PepiI , pequena mas com muitas inscrições para se ver.  Os egípcios já sabiam que a mente lê o todo e não letra por letra, não necessitando de uso de vogais e usando muitas vezes sinais que demonstravam o que estava acontecendo no lugar da palavra em si.

 

 

 

 

Meu hotel, o Zoser Partner, desta vez lotadíssimo, perdeu o controle nos serviços, não conseguia manter em ordem os quartos e o salão de café, (ao mesmo tempo mantinham outro salão de café fechado! e as pessoas esperavam de pé por um lugar para sentar, xícaras serem lavadas, etc...  Instalaram-nos em quartos velhos e sem reforma, cobrando o mesmo preço por um quarto novo ou reformado.  Nós os brasileiros viajamos mais de 16 horas para sermos tratados com indiferença? Nem nós, nem ninguém. Lógico que a viagem vale a pena, não seria por estes pequenos incidentes que deixaria de viajar, mas ao tentarem instalarem você dentro de um quarto velho, reclame no mesmo minuto.

Mas não é só fora que enfrentamos descaso, aqui no Brasil aconteceu em Fernando de Noronha, fui instalada num quarto caríssimo na Pousada do Zé Maria e tinha um ninho de ratos embaixo do colchão. Que eca! Perdi a fome por todo o resto da viagem, um nojo. Após muita reclamação e muitas desculpas esfarrapadas, nos colocaram em outro quarto e sem higienizar o quarto dos ratos colocaram logo em seguida um outro casal lá, na mesma noite, junto com os ratos já instalados no quarto há tempos pela quantidade de sujeira... (Atrás de geladeira encontrei um pote com veneno de rato!) Foram os piores três piores dias que passei num hotel, o café da manhã era ruim, a piscina suja, os empregados cheios de desculpas esfarrapadas na ponta da língua. O gerente se deu ao trabalho de escrever uma carta com desculpas esfarrapadas, mas como digo sempre, mais inteligente é não deixar acontecer que ter que se desculpar depois.

Mas retornando as maravilhas do Egito, ao chegar fomos recebidas por uns pingos de chuva no fim da tarde. Depois chegou o kansin, uma tempestade de areia que durou vários dias e nos acompanhou em diversas cidades deixando tudo com um aspecto nebuloso.

Almoçamos no famoso restaurante Naguib Mahfouz, localizado no Khan El Khalili (e recebeu este nome por causa do escritor do mesmo nome, já falecido) que escreveu seus inúmeros livros naquele local. Na mesa ao lado o Indiana Jones do History Channel, Josh Bernstein e seu grupo de filmagem. A comida é excelente, não deixe de ir lá almoçar, fica no Khan El Khalili.   Na hora de pagar me levaram aos fundos do restaurante para usar o cartão, passei pela cozinha onde, como sempre, todos são homens, observei no meio do caminho numa sala minúscula uma mulher fazendo milhares de pães, logo que me viu me presenteou com um sorriso maravilhoso, raro ver mulheres fora de casa, os ambientes nos parecem sempre masculinos.

 

 

 

 

De trem leva-se umas nove horas para atravessar do Cairo até Luxor. Compre a primeira classe que custa umas 80 libras egípcias, ou vá à noite no vagão leito que sairá por umas 140 libras egípcias, ou vai morrer de calor. A viagem foi tranqüila, durante o trajeto passam rapazes com lanches e chá para vender no vagão, ou você compra um lanche e água antes de sair da estação, a viagem é longa e o banheiro no trem, não recomendo.

Dá para fazer muitas fotos pela viagem e conhecer o interior do Egito, seus povoados e paisagens.

No Vale dos Reis, como sempre muita gente, seguimos para uma tumba mais distante, Estava sem luz no interior da tumba, entramos de lanterna foram 80 metros de volta ao passado, a mesma sensação dos egípcios que ali ficavam decorando as tumbas, a meia luz sozinhos com seus pensamentos. Naquela escuridão poderia jurar que as tumbas realmente tem guardiões...

 

 

 

 

 

 

 

Em Denderah e Abydos, seguimos de comboio com outros carros e alguns ônibus, sempre escoltados, foram várias horas de viagem, mas não vejo a hora de fazer tudo de novo. O templo de Denderah é muito bem conservado e está sendo restaurado por uma equipe de arqueólogos, é um templo construído para a mãe primordial, Hathor, uma das primeiras Deusas sobre a face da terra, e a sala do zodíaco é especial.

Confira sobre Denderah neste link

Abydos foi um dos maiores centros de peregrinação, um dos mais antigos do mundo, o templo com a lista de faraós do Egito é espetacular, as salas são muito bem conservadas. Infelizmente estes dois locais estupendos e repletos de histórias não entram nos roteiros das agências de viagem do Brasil. Será que o brasileiro já não passou da fase de viajar só para fazer compras?

O Museu de Luxor inaugurado estes tempos vale a visita, repleto de preciosas peças de várias épocas, fica na avenida de frente ao Nilo e custa 70 libras egípcias a entrada. Não deixe de adquirir o Guia de Ilustrado de Luxor, custa por volta de 200 libras, mas você pode pechinchar e sai por 150.

O Museu Copta no Cairo fica ao lado da entrada para as igrejas cristãs. Tem peças de vários períodos e o prédio é muito bonito, é uma visita rápida. Fomos visitar a cidades dos mortos onde moram os vivos, uma senhora com um lindo sorriso nos recebeu em mio a sua vida tão pobre e tão difícil. Nesta terra onde as mulheres tem receio de sorrir, fico feliz em encontrar aquelas que não se esqueceram do valor de um sorriso para as outras pessoas que estão tão longe de casa. No Museu do Cairo, para a sala das múmias você paga uma vez e vale o ticket para as duas salas. Na loja do museu tem postais, livros e outras peças interessantes.

 

 

 

Procurando por uma internet, porque a do hotel nunca funcionava, saímos pela rua, atravessamos o caótico trânsito, uma menina de uns 10 anos acompanhada de um menino menor que ela, queria a todo custo ajudar a gente a atravessar. Despistamo-la, atravessamos a calçada, várias mulheres pedintes sentadas com seus filhos muito sujos.

Vi muito desta cena pelo Egito, me deixa muito triste a falta de planejamento familiar aqui no Brasil e lá no Egito, é a mesma coisa, o duro não é ser pobre ou ser terceiro mundo, o duro é quando as pessoas se acostumam com a lavagem cerebral a que são submetidas. E o tempo todo você fica submetido ao bakshish, isto é a gorjeta para tudo e para todos. Com o tempo aprende-se a separar quem realmente tem necessidade da gorjeta e quem a pede por pedir. Para atravessar a rua espere que se reúnam várias pessoas num ponto da avenida e atravesse junto.

Nosso guia Samuel Gabala fez um ótimo trabalho como sempre e nos acompanhou na primeira semana. Depois passamos a outra semana só com o motorista, senhor Maghdi que colocava música para escutarmos e arriscava umas piadas. Nos viramos muito bem pelo Cairo sem o guia e apesar de Maghdi falar quase nada de inglês e da dificuldade de conversar ele estava sempre cheio de boa vontade e da típica gentileza egípcia, assim como o pessoal da agência Meryland que como todas as outras vezes nos recebeu muito bem, com um serviço impecável. Também quero agradecer a Bianca Berto pelas lindas fotos cedidas para ilustrar esta página. E nunca se esqueça, para viajar faça uma mala bem leve...

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