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A BRUXA, A SERPENTE, E AS FADAS: A DISCRIMINAÇÃO FEMININA E O CONCEITO DE MARAVILHOSO NA EUROPA MEDIEVAL ::  

 
   The Witch, the Serpent and the Fairies: the Feminine Discrimination and the Concept of "Wonderful" in the Medieval Europe.

   ABSTRACT
   The "wonderful" is all that is strange, supernatural, magic and miraculous. It is mainly in the European medieval period (12th and 13th centuries) that the "wonderful" rises again, though the courtly literature, and erudite production. We can say that there is a second type of "wonderful": the wonder. It is found in two levels: the wonders that help someone, as magic objects, and the wonders that have to be fought, as monsters in general. In the concept of "wonderful”, we observe the universe dehumanization, without a human mediator, passing to a mineral, vegetal or animal universe of monsters, fairies or forests. The wonderful Melusine, a dragon - woman, will be the female representative of this medieval context.
   KEY WORDS:
   Wonderful, Feminine, Medieval, Miracle.

   RESUMO
   
O maravilhoso é tudo aquilo que é estranho, sobrenatural, mágico ou milagroso. É, sobretudo no período medieval europeu, sécs. XII, XIII, que aparece o ressurgimento do maravilhoso, através da literatura cortesã, uma produção erudita. Podemos dizer que existe um segundo tipo de maravilhoso: - a maravilha.

   Ela se encontra em dois níveis: as maravilhas que ajudam, como objetos mágicos; as maravilhas que se deve combater, geralmente monstros. No maravilhoso, assiste-se a uma desumanização do universo, sem mediador humano, passando drasticamente para um universo mineral, vegetal ou animal de monstros, fadas ou florestas. A maravilhosa Melusina, uma mulher-dragão, será a representante feminina desse contexto medieval.
   PALAVRAS -CHAVE:
   
MARAVILHOSO, FEMININO, MEDIEVAL, MILAGRE;

 A BRUXA, A SERPENTE, E AS FADAS: O ETHOS  FEMININO E O CONCEITO DE MARAVILHOSO NO MUNDO MEDIEVAL.

   O maravilhoso é, em primeiro lugar, a projeção fora do nosso universo, e imerso em sua catarse, de atitudes mentais incompatíveis com a exigência de uma descontinuidade entre o ser humano e a natureza, e que o pensamento cristão tinha por essencial na Idade Média (1). O ethos feminino pode ser analisado como catalisador de mitos, elevando um fenômeno de cultura popular ao mito e vice-versa. Nesse sentido buscado por nós, o de perceber a entronização de uma fábula no meio social, como gêneses de uma cultura - a medieval - terão que analisar as relações entre níveis de cultura e grupos sociais.

   Teremos que pensar a Idade Média como uma convivência de populações, impregnadas de tradições mentais completamente diferentes. Desde o fim da Antigüidade Tardia e mesmo em pleno período medieval, observamos a emergência de populações camponesas exercendo pressões sociais importantes, sobre uma elite latina, que somada a uma crescente indiferenciação cultural das camadas culturais laicas frente ao clero, convidam uma crise. Essa cultura clerical, que monopolizava as formas eruditas de cultura, sobretudo as escritas, no grego ou latim, tinha que se ajustar  às resistências culturais de origem pagã sejam elas célticas, ou romanas.Teremos dificuldade em discernir qual seria o tamanho e o peso cultural da população camponesa frente ao monopólio clerical dessa mesma produção.

   Se nos introduzirmos ao problema do feminino medieval, encontraremos a mulher perante os seguintes paradoxos:

   A importância do caráter diabólico da mulher - ela permanece essencial, porque continua a ser o pivô de toda a sorte de desgraças e, na atmosfera cristã medieval, surge uma nova interrogação: a infidelidade da promessa não é menos culposa pelo caráter "diabólico" da mulher. Isso procede devido a cultura da época que desloca o problema. Como se faz a propósito das mulheres "maravilhosas", a distinção entre magia boa ou má, nas fadas ou feiticeira será construída - então o cristianismo oferece a Melusina uma possibilidade de salvação ou condena-a inevitavelmente às penas do inferno. Melusina, simbólica, evoca paixão, numa mescla entre erotismo e prosperidade, de abundância ( "primeiramente Melusina lhe  dá muitos filhos").

   :: O Feminino no período medieval ::

   Elas emergem das fontes medievais com imagens contraditórias. A mulher é descrita no pacto matrimonial, como mercadoria a ser avaliada acordo com a herança ou o dote que traziam com elas. Somado a esse lugar social, existia a forte tradição misógina herdada de São Paulo e dos escritos patrísticos, que retratavam a mulher como Eva, a suprema e obstáculo para a salvação. A respeito disso temos o testemunho de Santo Agostinho, dado por Simone de Beauvoir:

   “A mulher é um animal que não é seguro nem estável; é odienta para tormento do marido, é cheia de maldade e é o princípio de todas as demandas e disputas, via e caminho de todas as iniqüidades”.(2)

   Logo, era melhor casar do que se consumir - mas não muito melhor - e um homem decidido a levar uma vida santa deveria ingressar em uma ordem religiosa. Santo Tomás também lhe assegurava esse lugar social discriminado:

   " Eliminai as mulheres públicas do seio da sociedade, e a devassidão a perturbará com desordens de toda a espécie. São as prostitutas, numa cidade, a mesma coisa que uma cloaca num palácio:  suprimi a cloaca e o palácio tornar-se-á um lugar sujo e infecto".(3)

   Há algumas excepcionalidades. Pelo menos no fenômeno do amor cortês, representada pela figura do trovador, faz ventilar nas cortes algo contra a sedimentação cultural da sociedade cristã. São as "Cortezia es d`amar, o fin`amor, o bom amors, ou o amor valent " - todos inventados por poetas do século XII, exprimindo uma relação completamente nova entre o homem e a mulher, o que traduz um modus operandi de importante alcance: a promoção da mulher na sociedade nobre. Existe um pequeno espaço onde a mulher habita em igualdade de condições, e o faz na poesia. Até no trovadorismo, o mundo aristocrático não tratava a mulher com qualquer espécie de ternura. A princípio desprezada pela sua incapacidade para o manejo das armas, vivendo em um ambiente guerreiro que excluía toda a feminilidade, quase que eternamente tratada em condição de menoridade. Não se atribuía qualquer função além de procriar. Mas mesmo nas canções d´amour a mulher é tida como tentação do diabo. Nesse sentido não existe romance mais famoso que a de Heloísa. A amor cortês representado por Heloísa e Abelardo, foi resumido nessas linhas francamente eclesiásticas:

" Ou est la tres sage Helloïs
   Pour Qui fut chastré et puis moyne
   Pierre Esbaillart a Saint Denys?
   Pour son amour ot ceste essoyne...
   Mais ou sont les neiges d`antan?."

"Onde está a sensata Heloísa
   Por quem foi castrado e depois monge
   Pedro Abelardo em S. Dionísio?
   Por amor dela teve esta desgraça.
   Mas onde estão as neves d`antanho "?(4)

   O próprio Abelardo escreveu uma obra intitulada História das Minhas Calamidades, onde relata seu romance com Heloísa, como algo de penoso. Trata-se de um retrato social importante, e com ele podemos penetrar na intimidade de um intelectual da Idade Média, oprimido pelos costumes.

   :: A Melusina - nosso objeto do maravilhoso ::

   Num primeiro momento temos que fazer uma distinção entre o sentido de estranho e de maravilhoso.  Que as vezes se misturam. O estranho pode ser identificado pela reflexão, ao passo que o maravilhoso conserva sempre um resíduo sobrenatural, sendo dividido em três âmbitos:

   Mirabilis, magicus e miraculosus.
   Mirabilis- é o nosso maravilhoso , com origens pré -cristãs;

   Magicus- no período medieval este termo deslizou para o lado do mal, para o diabólico.

   Magicus é, portanto o sobrenatural maléfico, o sobrenatural satânico.

   O sobrenatural propriamente cristão ou maravilhoso cristão, é o que se origina de miraculosus. Mas "milagre", o miraculum, é um elemento bastante restrito, dentro do universo maravilhoso. Assim o penso porque uma das características do maravilhoso é ser representado, certamente por seres sobrenaturais que são inúmeros. Ora, no maravilhoso cristão somente pode haver uma autoria que é precisamente Deus. Logo, é o problema e o lugar do maravilhoso numa religião monoteísta como a cristã. Tiveram que propor - os clérigos da Igreja - a regulamentação desse maravilhoso no corpus do milagre. Essa regulamentação tem que ser até certo ponto desconstruída por nós,  para podermos realizar uma crítica ao milagre. Será uma linha tênue, pois faz desvanecer o maravilhoso. Temos uma tendência para racionalizar o maravilhoso, despojando-o de seu caráter essencial, que é justamente a imprevisibilidade. Tanto que se, num apelo reducionista, nos limitarmos a inferir etimologicamente as suas raízes ele significará "aparição”. Então, o milagre, se depende do arbítrio divino possui regularidade. Mas se o milagre tiver que se realizar através de seus mediadores que são os santos será ainda mais previsível. Nas lendas dos santos cristãos, a partir do momento em que os santos entram em cena nós já sabemos o que ele vai fazer. Sabemos desde logo que ele multiplicará algum alimento, que fará uma ressurreição, que expulsará um demônio. Dessa forma, há um perigo de esvaziamento do maravilhoso.

   Podemos acrescentar qual a função do maravilhoso. O maravilhoso é um contrapeso à banalidade e a regra do cotidiano. Os temas principais sempre são os da abundância de alimentos, a nudez, a liberdade sexual e o ócio. Um mundo ao avesso é em suma a reversão das hierarquias, que a propósito é a emergência de valores pagãos frente a ideologia cristã. O maravilhoso foi em última análise uma forma de resistência ao cristianismo. Há por isso uma recusa a figura do homem como imagem e semelhança de Deus, já que em inversão ocorre justamente o contrário. Bestas se apresentam sempre metade humana e metade fera. A recuperação cristã canalizou o maravilhoso para o milagre, mas este na verdade restringe o maravilhoso. Isto porque se refere sempre a Deus, o regulamenta e o racionaliza. A imprevisibilidade é substituída pela ortodoxia, frente ao sobrenatural. Assim, os santos, anjos e demônios são transformados em milícias cristãs, verdadeiros exércitos de Deus. Por isso existe, por exemplo, a busca pelo Graal. Podem aparecer terras e lugares naturais, como montanhas, lagos, fontes, árvores. Também não podemos esquecer de que o maravilhoso é visto por alguém, é visionário. Logo, pode ser enganador porque ver, mirar evoca o devaneio das miragens. Ora, isso nos remete ao latim mirari,advindo da mirabilia, ou seja, maravilha e a visão. Por isso, as maravilhas são visionárias em sentido lato ou metafórico e tudo aquilo que o imaginário pode representar. Os mirabilia são naturalmente coisas que o homem pode admirar com os olhos, são metáforas visíveis. Trata-se de olhar.

   :: 2.1 - A estória maravilhosa de Melusina. ::

   "Melusina, chorando, sempre é vista por um cavalheiro em viagem em uma floresta. Ali, se banhando, nua, persuade o cavalheiro a se casar com ela, mas apenas se nunca a observasse tomando banho".  Ele casa com a dama e tem muitos filhas, "Presina, Paulina e Palestina". Mas não conseguindo conter sua curiosidade, a observa por uma fechadura. Então ela o percebe e "se transforma em dragão voando pelos ares da torre do castelo".

   Percebemos algumas passagens que nos garantem alguns tabus cristãos quebrados por essa mulher na figura de "melusina".  Ele a vê numa floresta, no pagus, no campo,  é então uma figura pagã, silvícola.  Como as deusas célticas dos banhos, ela se encontra no lago. Ele "a salva" e casa com ela. Ela lhe dá muitos filhos, retratando uma forte preocupação medieval - a demografia- por causa da alta taxa de mortalidade infantil.  A quebra do tabu - a de não vê-la se banhando -  evidencia a natureza demoníaca de melusina. Na medida em que a água é um elemento purificador, como a água benta da missa cristã, Melusina revela sua aparência de dragão ou serpente voadora e voa pelos ares a fugir. Neste sentido, Melusina nos remete a uma outra lenda, a da " Dama do Castelo de Esperver ". Ela chegava tarde à missa e não podia assistir à consagração da hóstia. Como o marido e os criados a tinham, à força, retida por um dia na igreja, no momento das palavras da consagração, ela voou, destruindo parte da capela e desaparecendo para sempre. Essa estória nos parece a de uma pré- melusina. Mas existem outras. Em " Henno dos Dentes Grandes" há evidente semelhança. Em Aix-en Provence, o senhor do castelo Rousset. No vale de Trets, encontra perto do rio Arc uma bela dama, magnificamente vestida, que o chama pelo nome e que acaba por consentir em casar com ele, com a condição de jamais procurar vê-la nua, porque assim o faria perder toda a prosperidade material que ela lhe irá proporcionar.  O Senhor Raymond promete e o casal conhece a felicidade; riqueza, força e saúde, além de muitos e belos filhos. Mas o esposo puxa a cortina um dia atrás da qual sua mulher toma banho no quarto. A bela esposa se transforma então em serpente e some na água do banho para sempre. Só as amas a ouvem de noite, quando ela volta invisível paras ver os filhos. Esta é também uma mulher-serpente.  Percebemos que ocorre uma verdadeira comunhão de mitos. E há muito mais ainda. Melusina é criada na ilha de Avalon, a mesma das lendas do Rei Artur. Isso nos dá mais um ponto a favor da origem céltica da lenda. O tema da caçada ao javali, animal psicopompo e visivelmente celta, faz parte igualmente da lenda. O próprio Raimodin encontra nessa caçada, três mulheres muito belas, entre as quais a própria Melusina.

   Algo que nos chama a atenção é a forme de "tríade" que configura a formação da família de Melusina e suas irmãs que formam o triunvirato "Melusina, Melior e Palestina". Sendo Melhor e Palestina outra alusão aos problemas dos infiéis ao cristianismo, sendo clara uma referência ao oriente próximo.  De qualquer modo, as formas das deusas tríplices celtas e pagãs já foram exaustivamente tratadas por Frazer, Campbell, Eliade, como sendo as deusas do destino e é neste fato que começaremos divagar sobre este problema. Ora, destino é fado, ou seja, algo que não se pode evitar, um jugo. O português "fado" se origina do latim dando origem a "fatal", "fato" que significa justamente isso, "algo terrível, que não se pode evitar". Daí surge a conotação de fatal, ou seja "irrevogável". Talvez graças a isso, Melusina se transforma em serpente todos os sábados. O tempo é cíclico mas não é linear. Ritmos lentos, explosões, perdas e ressurgências, dão vida ao maravilhoso imaginário. Essa variável é a natureza do acontecimento que provoca o desaparecimento. Um fato trágico consiste quase sempre na revelação da natureza do ser mágico, a serpente. Então, Melusina surge com um papel de perturbar a paz da família feliz, provocar qualquer desgraça. Por isso mesmo, Melusina no conto é chamada com adjetivos tais como "pestilenta" e "mui falsa serpente". A Melusina também é assimilada como um demônio súcubo, fruto de cópulas com mortais, que posteriormente dão filhos excepcionais, dotados de dons físicos (beleza para as mulheres e força para os homens) , porém infelizes, retardados, ou tarados.

   Estamos preocupados com essas terminologias etimológicas e filológicas para solucionar algo que quase sempre tem passado despercebido pelos estudiosos de mitos medievais. A fada é malévola, fatal, portanto o que nos leva a crer como mui plausível seria uma sutil cristianização desse substrato pagão dos mitos, transformando as fadas em senhoras idosas e conselheiras. Melusina é uma fada, só que em sua gênese, solta fumaça pela boca, é serpentária, mesmo ofídica; um dragão. A necessidade do sobrenatural permeia toda a Idade Média. Isso nos remete ao problema do totemismo. O dragão pagão é antes de tudo um símbolo de poder; símbolo da mulher que já possuiu um lugar social garantido pelo matriarcado céltico em épocas remotas. O cristianismo levou pelo menos meio milênio para impor-se (do século III ao século VIII ). Assim sendo, mesmo com intenso combate a essa mentalidade, deixou subsistir na cultura popular numerosas crenças pré-cristãs.

   :: Conclusão ::

   O nosso pensamento será o de nos remetermos a saída encontrada pela população para falar de si própria: - o mito. Ali, no fantástico no imaginário, qualquer minoria tem o direito de transitar, mesmo que em sonho, ou mesmo pleitear uma nova condição de vida. É a Melusina que representa o imaginário feminino medievo em sua mais saliente pujança. A mulher, nomeada pela Igreja Romana como filha de Eva, portanto portadora do "vírus" do demônio, é retratada em sua forma diabólica, como serpente voadora, dragão e fada dos lagos.  Como resposta a essa emergência de valores pagãos, a Igreja para não se expor ao perigo do desmoronamento, ou melhor, para conseguir escapar dele, o faz à custa de numerosas adaptações. Poderíamos citar a princípio o problema do "marianismo" medieval. Ora, a devoção Mariana, ou da Virgem Maria, nasce no século XII com toda a força, já que já que as comunidades rurais européias continuam cultuando uma espécie de virgem negra, das grutas, com um simbolismo visivelmente subterrâneo e pagão, da cultura céltica.(5) A oficialização por parte do bispado através da oficialização das procissões, agora sob nova gênese, renovada pelo manto do cristianismo, nomeada de mãe de Jesus.  O surgimento de numerosos "santas" em substituição à divindades pagãs, é um exemplo constante. Nesse processo cultural, - a desnaturação- os temas folclóricos mudam rapidamente de significado. Como exemplo temos a "Vita Marcelli”, de Fortunato(6). Neste escrito, o dragão é pagão, símbolo de forças naturais ambivalentes, vantajosas ou prejudiciais. Pois o dragão cristão continua a coexistir com o dragão cristão, este identificado com o diabo e reduzido a um significado de maldade. Mas, surpreendentemente, no "Vita Marcelli", um santo sai vencedor do dragão, mas mantendo ainda um leitmotiv pré-cristão, ele hesita em matar ou domesticar o monstro. Percebemos um enorme fosso cultural entre o caráter ambíguo da cultura folclórica, tendo as forças da natureza como locus, e um certo racionalismo da cultura eclesiástica que prega o binarismo bem e mal.

   A Melusina representa o combate cristão a esse substrato pagão céltico implícito na lenda. Essas idéias variáveis e freqüentemente contraditórias sobre as mulheres são sintomáticas da natureza complexa e multiforme de seu status e funções na sociedade medieval.

   Por fim poderíamos sinalizar para o conteúdo político da lenda de Melusina. Existe a possibilidade de um "maravilhoso político". Neste espaço mítico, as famílias nobres reivindicam o mito como sua própria gênese. A família francesa Lusignan, um ramo Plantagenetas se diz "filhos da mulher-demônio' por conseguirem prestígio na Côrte de Ricardo Coração de Leão. Então a própria sociedade toma como verdadeiro o mito para se exaltar, como emblema de força, de poder, mesmo que ”infernal”. Desta forma, a cultura erudita, uma cultura dominante cristã ,dava respostas individuais ou coletivas ao problema da atitude a adotar em relação ao conteúdo da cultura profana pagã, utilizando uma ferramenta intelectual aperfeiçoada  por autores didáticos que sistematizavam lendas populares inferindo conteúdo cristão. Os próprios escritores conhecem a versão pagã da estória já que freqüentemente são gauleses ou celtas que adotam rapidamente a cultura cristã, por ali precisamente se encontrar um dos melhores processos de ascensão social. O fenômeno que permite que essas lendas maravilhosas sobrevivam, será o de muito longa duração. As vezes, quanto mais interessados em expurgar esses costumes ancestrais, a atitude favorece a emergência dessas mesmas crendices. Por isso, Santo Agostinho distingue a urbanitas da rusticitas quanto aos aspectos sociais das mentalidades, das crenças e dos comportamentos. Por isso a sua atitude discriminatória em De cura pro mortuis gerenda, ou em De catechizandis rudibus. Em De Civitate Dei, XV, 23, sobre os Silvanos et Faunosquos vulgo incubos vocant, é o local de nascimento dos demônios sexuais da Idade Média. (7)

   A evangelização exige dos clérigos um esforço de adaptação cultural: língua ou sermo rusticos, emprego de formas orais, sermões e cantos; certos tipos de cerimônia, tais como liturgia, procissões, rogações, milagres encomendados e oficializados por Gregório Magno. A obliteração de temas pagãos por fim encobre e elimina a cultura folclórica. É a desnaturação, ou fim pelo tema cristão definitivo. Assim, assiste-se na Idade Média, um bloqueio da cultura, estanque, hierarquização. Mas a população não é atingida literariamente já que não era letrada. E a mulher irromperá mais algumas vezes na Idade Média, e muitas vezes depois, muito mais poderosas do que os medievais poderiam imaginar. O milagre se consumou.

   NOTAS:

   LE GOFF, J. O maravilhoso e o cristianismo no ocidente medieval. Lisboa: Edições  70, 1966.
   BEAUVOIR, S. O Segundo Sexo. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1980 - vol. I, p. 126.
   BEAUVOIR, S. O Segundo Sexo. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1980 - vol. I, p. 127.
   JEAUNEAU,  É. A Filosofia Medieval. Lisboa: Ed. 70, 1986. p. 53.
   LE GOFF, J. Para um novo conceito de Idade Média. Lisboa: Ed. Estampa, 1980. P.296.
   LE GOFF, J. Níveis de cultura e grupos sociais. Lisboa: Ed. Cosmos, 1966. P. 34.
   LE GOFF, J. Níveis de cultura e grupos sociais. Lisboa: Ed. Cosmos, 1966. P. 32.
 

Texto por:
Fabio Liborio Rocha.

Graduado em História-Universidade Federal do Rio de Janeiro, mestrando em Filosofia /UGF-RJ/ CAPES. Secretário executivo da Ong. Chave da Filosofia para Educação e Cidadania-RJ
 


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A mulher nas sociedades antigas: ( o arcano da lua) ::
  


   
   Riane Eisler afirma em seu livro “O Prazer Sagrado”, que: “provavelmente remonta à era pré histórica quando houve uma mudança importante na tendência de nosso desenvolvimento cultural - de um modelo de parceria para um de dominação em todas as relações.” Porquê não conseguimos reverter o esquema e acabamos aceitando um sistema que nos violenta com tantas ditaduras: a do corpo, a da juventude, a da servidão silenciosa e voluntária. E pesquisando essas questões que envolvem (o sangue e o sacrifício da vida) - comecei procurando informações sobre a LUA e o fator feminino, e traduzi este texto que gostaria de partilhar com vocês:

   - The Woman’s Encyclopedia of Miths and Secrets
   - Aut. - Barbara G. Walker - Edit. - Harper Collins
   - pags. 635 a 644
   - tradução - Nadia Greco – 22-11-1999

   
   Vem das primeiras culturas humanas, o pensamento que a misteriosa magia da criação residia no sangue feminino em total e aparente harmonia com a LUA, e o qual era algumas vezes retido no útero para “coagular-se” em um bebê. Os homens olhavam este sangue com sagrado temor, como a essência da vida, inexplicavelmente liberado sem dor, totalmente estranho para a experiência masculina.

   A maior parte das palavras para menstruação também queria dizer algumas coisas como: incompreensível, sobrenatural, sagrado, espírito e divindade. Como a palavra Latina sacer ( sacer, -cra, - crum : inviolável, venerado, que não pode ser tocado, sem ser manchado ou manchar- obs. Nádia), antigas palavras árabes para “puro” e “impuro”,eram ambas aplicadas para sangue menstrual e somente para isto. Os Maoris afirmavam explicitamente que as almas humanas são feitas de sangue menstrual , o qual quando retido no útero “assumia forma humana e crescia até tornar-se homem”. Os Africanos dizem que o sangue menstrual é um “coágulo que amolda-se em homem”, Aristóteles dizia o mesmo : a vida humana é feita do “coagulum” ( - o que liga, o que reúne ,obs Nádia ) do sangue menstrual. Plínio chamava o sangue menstrual “a substância material da geração”, capaz de formar “um coágulo, o qual depois no processo do tempo rapidamente cresce e toma a forma de um corpo”. Esta primitiva noção da função pré-natal do sangue menstrual era ainda o pensamento das escolas médicas da Europa até o séc. 18 .

   
   Idéias básicas sobre sangue menstrual vem da teoria Hindu de como a Grande Mãe criava, sua substância tornava-se espessa e formava um coalho ou coágulo, sólida matéria é produzida como uma “crosta”. Esta era a maneira como ela dava o nascimento ao cosmos, e as mulheres empregam o mesmo método em menor escala. De acordo com Daustenius, “O fruto no útero é nutrido somente pelo sangue da mãe....” 

   Os Índios da América do Sul dizem que toda humanidade foi feita de “sangue menstrual” no princípio. A mesma idéia prevalece na antiga Mesopotâmia, onde a Grande Deusa Ninhursag fez a raça humana de barro e impregnou-a com o “sangue da vida”. Sobre os nomes alternados de Mammetun ou Aruru a Grande, a Potter, ela ensinou as mulheres a formar bonecas de barro e untá-las com sangue menstrual como um encanto de concepção , um pedaço de mágica que “deu base” ao nome de ADAM, do feminino ADAMAH, que significa “barro sangüíneo” uma idéia que os estudiosos mais delicadamente traduziram para “terra vermelha”.

   
   A história Bíblica de Adão foi plagiada de um mito da criação contado pelas mulheres mais antigas recontando a criação do “homem” do barro e do sangue da LUA. E a história da criação do Alcorão no qual Allah diz “ faça o homem de sangue fluído”; ( a autora usa flowing blood, e flow quer dizer sangue menstrual- nota Nádia) mas na Arábia pré- Islâmica , Allah era a Deusa da criação, Al-Lat. Os Romanos também tinham traços do mito da criação original. Plutarco dizia que o homem era feito da terra, mas o poder que fazia o corpo humano crescer era da LUA, fonte do sangue menstrual. A vida de muitos deuses dependiam do poder milagroso do sangue menstrual. Na Grécia era eufemisticamente chamado de “vinho vermelho sobrenatural” dado para os deuses pela Mãe Hera em sua forma virginal, como Hebe. A raiz dos mitos do Hinduísmo revela a natureza deste “vinho”. Houve um tempo todos os deuses reconheciam a supremacia da Grande Mãe, manifestando ela mesma como o espírito da criação ( Kali-Maya ).Ela “convidava-os para banhar-se do sangue menstrual do seu útero, beber dele; e os deuses em sagrada comunhão, beber da fonte da vida -- ( hic est sanguis meus!) ( este sangue pertence á mim !- nota minha) e banhar-se nele, e serão secretamente abençoados para os céus)” Para este dia, as roupas mantidas com o sangue menstrual da Deusa eram grandiosamente agraciadas como encantamento da cura. 

   W.R. Smith relata que o valor da goma da acácia como um amuleto “está em conexão com com a idéia de que é um coágulo de sangue menstrual, i.e., que a árvore é uma mulher”. 

   
   Para as cerimônias religiosas, os aborígines Australianos pintam suas pedras sagradas, churingas - amuletos -, e eles mesmos com vermelho ocre,declarando que isto era realmente sangue menstrual.

   O segredo esotérico dos deuses, era que eles tinham poderes místicos de longevidade, autoridade, e criatividade que vinham da mesma essência feminina.

   O deus Nórdico Thor por exemplo alcançou a terra mágica de encantamento e vida eterna por banhar-se em um rio cheio com o sangue menstrual das “mulheres gigantes” - que eram as Matriarcas Primais, “as Primeiras Poderosas” que governavam os deuses mais antigos antes que Odin trouxesse seus “Asiáticos” do leste. Odin adquiriu supremacia roubando e bebendo o “sábio sangue” do triplo caldeirão do útero da Mãe-Terra, a mesma deusa tripla conhecida como Kali-Maya no sudeste Asiático.

   O roubo de Odin do mágico sangue menstrual se deu paralelamente á quando Indra roubou a ambrosia da imortalidade . O mito Indiano chamava o sagrado fluído Soma - em Grego, “o corpo”-, porquê a raíz da palavra oriental referia-se a uma mística substância do corpo. Soma foi objeto de um sagrado respeito e do qual as interpretações são muitas:Soma era produzida pela mistura, agitação do mar primal (o “oceano de sangue” de Kali ou ás vezes “o mar de leite”) Ou Soma foi segregado pela Lua-Vaca. Ou Soma foi carregado no “pote branco”( ventre) de Mohini a Feiticeira. Ou a fonte de Soma foi a LUA. Ou de Soma todos os deuses nasceram. Ou Soma era o nome secreto da Deusa Mãe e a parte ativa da “alma do mundo”.Soma era bebida por sacerdotes nas cerimônias sacrificiais e misturado com leite como um encantamento de cura; então não era leite. Soma foi especialmente reverenciado no “somvara”, Monday, o dia da LUA. Em uma cerimônia antiga chamada Soma-vati, mulheres da Maharashtra circundavam o sagrado símbolo do feminino, a árvore do figo, sempre que a LUA Nova caía numa segunda.

   Alguns mitos diziam que a Deusa sob o nome de Lakshmi, “Fortune” ou “Soberana”, deu Soma para Indra para torná-lo rei dos Deuses. A sua magia, poder, e curiosamente a capacidade feminina para a gravidez, veio da bebida mística de Lakshmi. Bebendo direto da Deusa, Indra se tornou como ela; o Monte do Paraíso com seus quatro rios, “muitas-cores” como os véus do arco-íris da Deusa, rico em gado e vegetação frutífera. Do sangue da Deusa veio a sua sabedoria. Similarmente, os gregos acreditavam que a sabedoria do homem ou deus foi centrada no seu sangue, o matéria da alma dada pela sua mãe. Os faraós egípcios se tornavam divinos pela ingestão “do sangue de Ísis”, a soma parecida a ambrósia chamada sa. O sinal hieroglífico disto era o mesmo que o sinal da vulva, um yonico laço como aquele do ankh, ou Cruz da Vida. Pintado de vermelho, este laço,curva, significa a genitália feminina e o Portão do Paraíso. Os amuletos enterrados com o morto especificamente oravam à Ísis para divinizar o defunto com seu sangue mágico. 

   
   O mesmo elixir da imortalidade recebia o nome de “amrita” na Pérsia. Algumas vezes era chamado o leite da Deusa Mãe, algumas vezes bebida fermentada, algumas vezes sangue sagrado.E sempre em associação com a LUA. O orvalho e chuva se tornava seiva vegetal, seiva se tornava o leite da vaca, e o leite então era convertido em sangue: - Amrita, água, seiva, leite e sangue representavam estados diferentes de um mesmo elixir. O vaso ou cálice deste fluído imortal é a LUA.

   Os reis Celtas se tornavam deuses por beber o “hidromel vermelho” distribuído (preparado) pela Rainha Fada, Mab, cujo nome antigamente era Medhbh ou “hidromel”. Então ela deu uma bebida dela mesma, como Lakshmi. O nome Céltico deste fluído era “dergflaith”, que significa também “cerveja vermelha” ou “soberania vermelha” . 

   Na Bretanha Céltica, ser manchado com vermelho significava ser escolhido pela Deusa como um rei. 

   
   A mesma cor de sangue implicava apoteose após a morte. O paraíso pagão ou “Fairyland” estava no centro uterino da terra, lugar da mágica Fonte da Vida. Um velho manuscrito no Museu Britânico diz que a Fênix vive lá para sempre. A Sagrada Montanha ou “mons veneris” continha ambos os símbolos feminino e masculino : a Árvore da Vida e a Fonte da Eterna Juventude, e depois obviamente menstrual, o qual era dito que transbordava todo mês LUNAR, uma vez.

   Os homens da igreja medieval insistiam que o vinho da comunhão bebido pelas bruxas era o sangue menstrual, e eles podem estar certos. O famosos mago Thomas Rhymer se uniu a um culto de feiticeiras sobre a tutela da Fada Rainha, que contou à ele que ela tinha “Uma garrafa de vinho púrpura aqui em meu colo, e convidou-o para a deitar sua cabeça no colo dela. Claret era a tradicional bebida dos reis e também um sinônimo para sangue; e literalmente significa “iluminação”. Havia um ditado, “O homem na LUA bebe claret”, uma conexão com a idéia de que o vinho representa sangue LUNAR.

   Romances medievais e o movimento do amor cortês, depois narrado por cultos de bruxas, foram fortemente influenciadas pela tradição Tântrica, na qual o sangue menstrual era de fato o vinho de poetas e sábios. Isto é ainda especificado no Rito da Mão Esquerda do Tantra onde a sacerdotisa personificando a Deusa precisava estar menstruando, e após o contato com ela o homem pode executar ritos que farão dele “um grande poeta, um Senhor do Mundo” que viaja nas costas de um elefante como um rajah. 

   Em ambas as sociedades antigas do oeste e do leste, o sangue menstrual carrega a autoridade soberana do espírito porquê era o meio de transmissão da vida do clã ou tribo. Entre os Ashanti, meninas ainda são mais recompensadas que os meninos porque a menina é a portadora do “sangue” (mogya). Este conceito é claramente caracterizado na Índia, onde o sangue menstrual é conhecido como a flor de Kula ou o nectar de Kula, o qual tem uma íntima conexão com a vida da família. Quando uma garota menstrua a primeira vez, se diz ela ter “nascido para a Flor”. A correspondente palavra Inglesa flor, tem um importante significado literal de “aquilo que flui”, flower, flows.

   A Deusa Inglesa das flores era Blodeuwedd, uma forma da Tripla Deusa em associação com os sacrifícios dos antigos reis. A lenda de Welsh diz que todo o corpo dela era feito de flores - como nenhum corpo era - , em acordo com a antiga teoria da formação do corpo a partir do sangue da “flor”. O nome dela sugere o casamento do sangue, e o mito fez dela a esposa de muitos heróis assassinados, recordando a velha idéia que o sangue divino da Deusa tinha de ser periódicamente renovado pelo sacrifício humano.

   A Bíblia também chama o sangue menstrual de flor ( Leviticus 15:24) , precursor da “fruta” do útero ( a criança). Assim como as flores misteriosamente contém nela um futuro fruto, assim o sangue uterino era a lua-flor supondo conter a alma de futuras gerações. Esta era a idéia central de um conceito matrilinear de um clã. A palavra Hebraica para sangue, dam, significa “mãe”ou “mulher” em outras línguas Indo-Européias (e.g. dam,damsel, madam, la dama, dame) e também “a menstruação” (damn) .

   
   A Grande Mãe Sumeriana representava sangue maternal e cavidade, nomes como Dam-kina e Damgalnunna. Do seu ventre fluíam os Quatro Rios do Paraíso, algumas vezes chamados rios de sangue o qual é a “vida” de todo corpo (carne).

   Seu primogênito, o Salvador, era Damu, a “criança de sangue”.

   Damos ou “mãe-sangue” era a palavra para “povo” na matriarcal Micenas. Outro símbolo da antiguidade comum do rio-sangue da vida era o tapete vermelho, tradicionalmente o piso para reis sagrados, heróis e noivas.A religião Chinesa do Tao, “o Caminho”, ensinava doutrinas Tântricas suplantadas pelo Confucionismo ascético-patriarcal. Taoístas dizem que um homem pode se tornar imortal ( ou uma vida longa) absorvendo sangue menstrual, chamado o suco vermelho yin, do Portão Misterioso da mulher, de outro modo conhecida como a Gruta do Tigre Branco, símbolo da energia feminina de dar-vida. Os sábios Chineses chamavam este suco vermelho de essência da Mãe-Terra, o princípio yin que dá vida para todas as coisas. Eles alegam que o Imperador Amarelo se tornou um deus por absorver o suco yin de cento e doze mulheres.

   Um mito Chinês diz que a Deusa -Lua Chang-O, que controlava a menstruação, foi ofendida pelo marido por causa do ciúme de seus poderes.Ela deixou seu marido, que brigava com ela por que ela possuía todo elixir da imortalidade, e ele não tinha nada, e ele estava ressentido. Ela deu as costas á ele e foi morar na LUA para sempre, do mesmo modo que Lilith deixou Adão para viver por conta própria no “Mar Vermelho”. Chang-O proibia os homens de assistir o festival Chinês da LUA, o qual era celebrado somente por mulheres, na LUA cheia do equinócio outonal. 

   A China Taoísta considerava o vermelho uma cor sagrada associada com mulheres, sangue, potência sexual e poder criativo. O branco era a cor do homem, semem, influência negativa, passividade e morte. Esta era a idéia básica do Tantra da essência dos homens e mulheres: o princípio masculino era visto como “passivo”e “inerte-em repouso”; o princípio feminino como “ativo”e “criativo”, o reverso da posterior visão patriarcal.

   
   A cor do sangue feminino sozinho era frequentemente considerado um potente encantamento. Os Maoris convertiam qualquer coisa em sagrada por colori-lá de vermelho e chamam a cor vermelha de sangue menstrual. Os Ilhéus de Andaman pensavam que a tinta cor vermelha era uma poderosa medicina, e pintavam pessoas doentes de vermelho em reforço á cura delas. Hottentots saudavam sua Deusa Mãe como a primeira “que tem o corpo pintado de vermelho” ela era divina porque numca derramou ou perdeu sangue menstrual. Algumas tribos Africanas acreditavam que o sangue menstrual sozinho, mantido em um pote coberto por nove meses, teria o poder de tornar-se um bebê. 

   Os ovos de páscoa, clássicos símbolos do útero da Deusa Eostre, eram tradicionalmente coloridos de vermelhos e colocado em covas para fortalecer o morto. Este hábito comum na Grécia e no sudeste da Rússia, pode remontar ás origens das covas Paleolíticas e as mobílias do funeral ornadas com ocre, para assemelhar-se com o útero da Mãe-Terra do qual o morto poderia “nascer novamente ”.

   Tumbas antigas em toda parte tem mostrado os ossos do morto cobertos por um vermelho ocre. Algumas vezes tudo na tumba, incluindo as paredes, tinham a cor vermelha. 

   J. D. Evans descreveu um poço-túmulo em Malta cheio de ossos vermelhos ornados que encheu de medo os trabalhadores que insistiam que os ossos estavam cobertos de “sangue fresco”. 

   A cerimônia de nascer-novamente da Austrália mostrou que os Aborígenes ligavam o renascimento com o sangue do útero. O cântico executado em Ankota, a “vulva da terra”, enfatizado na cor vermelha circundando o devoto. “Uma trilha reta está se abrindo diante de mim. Uma cavidade subterrânea está se abrindo diante de mim. Um profunda senda está se abrindo diante de mim. Vermelho eu sou como o coração da chama do fogo. Vermelha, também, é a cavidade na qual estou em repouso. Imagens como estas ajudam a explicar porque algumas das mais antigas imagens da Deusa, como Kurukulla no oriente e sua contraparte Cybele no ocidente, estão associadas com cavernas e a cor vermelha.

   Místicos Gregos foram “renascidos” no rio Estige, por outro lado conhecido como Alpha, “O Princípio. Este rio fere sete vezes o interior da terra e emerge como um santuário yonico perto da cidade de Clitor (Grego Kleitoris) sagrada para a Grande Mãe . Estige era o fluxo sangüíneo da vagina da terra; suas águas foram acreditadas com o mesmo respeitoso poder que o sangue menstrual.

   Deuses Olímpicos juravam sua completa ligação pelas águas do Estige, como os homens na terra juravam pelo sangue de suas mães.

   A morte simbólica e o renascimento tinham ligação com o batismo nas águas do Estige, como em muitos outros rios sagrados do mundo todo. O próprio Jesus foi batizado na versão Palestina do Estige, o rio Jordão. Quando um homem se banhava sete vezes neste rio “seu corpo se tornava novamente como o corpo de uma criança”

   (2 Reis 5:14). Na tradição Grega a jornada para a terra dos mortos significava atravessar o Estige; na tradição Judaico-Cristão era atravessar o Jordão. Este é o mesmo “rio de sangue” atravessado por Thomas Rhymer no seu caminho para a Terra das Fadas.

   
   A devoção Tântrica do sangue menstrual se introduziu no mundo Greco-Romano antes da era Cristã e estava bem instalada no período Gnóstico. Estes devotos providos de “ágape” - “deleite de amor” ou “casamento espiritual” - praticado pelos Cristãos Gnósticos como os Ofitas. Outro nome para o “agape” era “synesaktism”, “O Caminho de Shaktism” significando o Tântrico culto à yoni. Synesaktism foi declarada heresia antes do século 7. Subseqüentemente o “deleite de amor” desapareceu, e as mulheres foram esquecidas da participarem diretamente na devoção Cristã de acordo com a regra de São Paulo (1 Timóteo 2: 11-12) .

   Epiphanius descreve a prática da “agape” por Cristãos Ofitas, enquanto deixava claro que estas atividades sexuais heréticas enchia-o com terror: 

   Apresentem-se e celebrem o “deleite de amor”)agape) com teu irmão. A mulher e o homem pegam a ejaculação do homem nas suas mãos, erguem-se oferecendo para o Pai, o Ser Primal de Toda Natureza.

   “E quando as mulheres estavam menstruadas, eles faziam a mesma coisa com a menstruação delas. 

   E eles liam na Revelação, “Eu vi a árvore da vida com seus doze tipos de frutos, produzindo seus frutos á cada mês” ( Rev. 22:2) , e eles interpretam isto com uma alusão para o incidente mensal da menstruação feminina.

   O significado destes sacramentos Ofitas para seus praticantes é facilmente recobrado do semelhante Tântrico. Comer a substância viva da reprodução era considerado mais “espiritual” que comer o corpo morto do deus, mesmo transmutado em pão e vinho, o pensamento do simbolismo era o mesmo:

   Quando o sêmem, vazado pelo fogo da grande paixão, cai para o lotus da “mãe” e misturado com o elemento vermelho dela, ele conquista “a mandala convencional ( estilizada) do pensamento de encantamento” O resultado da mistura é saboreado pela união “pai-mãe (Yab-Yum), e quando eles alcançam a passagem eles podem gerar concretamente uma especial alegria, beatitude . . . a bodhicitta - o líquido resultante da união do sêmem e do sangue menstrual - é transferido para o yogi . . . Isso dá poderes a sua correspondentes místicas veias e centros concluir a função da linguagem do Buda . O termo “iniciação secreta” vem de experimentar a substância secreta.

   Na linguagem oculta do Tantra, dois ingredientes do Grande Rito são sukra,semem, e rakta,sangue menstrual. A sacerdotisa que oficia tinha que estar menstruada então suas energias lunares eram em fluxo. Ela encorporava o poder de rakta, algumas vezes convertido rukh ou ruq, cognato do Hebraico ruach, “espírito” e do Árabe ruh, e ambos significam “espírito” e “cor vermelha”.

   Do princípio ao fim todo Tantra e crenças relacionadas a fusão do vermelho feminino e o branco masculino foi “uma simbólica conjunção profundamente importante”.

   Os Sufis , que praticam seus próprio tipo de Tantrismo, dizem que ruh era feminino e vermelho. Sua contraparte masculina sirr, “consciência”, era branco. Vermelho e branco as cores alternadas no Sufi halka ou círculo mágico, correspondendo ao Chakra Tântrico e chamado de “a unidade básica e o verdadeiro coração do Sufismo ativo” O rosário Árabe que alterna contas vermelhas e brancas tem o mesmo significado: homens e mulheres ao redor do círculo, como em muitas danças folclóricas Européias.Vermelho e branco são as cores que usam alternando mulheres e homens dançarinos no “círculo da fada” das feiticeiras da Irlanda pagã, onde a Deusa é reverênciada com o mesmo nome da mãe terra Tântrica, Tara. 

   Homens e mulheres se alternam como no chakra Tântrico, dançam em direção contrária aos ponteiros do relógio ou à maneira da lua. As cores vermelha e branca “representam o mundo das fadas”.

   Os ritos que são frequentemente presididos pelas mulheres mais velhas, se deve aos antigos que acreditavam que as mulheres pós-menopausa eram as mais sábias dos mortais porque elas retinham permanentemente o seu “sábio-sangue”. No século 17 A. D. , escritores Cristãos ainda insistiam que as mulheres mais velhas estavam cheias de poder mágico porque o sangue menstrual ainda permanecia em suas veias. Esta era a verdadeira razão porquê as mulheres mais velhas eram constantemente perseguidas por bruxaria. O mesmo “sangue mágico”que as fez líderes nos antigos sistemas de clãs fez delas objetos de medo para a nova fé patriarcal. Porque o sangue menstrual ocupava uma posição central nas teologias matriarcais, e era realmente sacer - terrívelmente sagrado-os ascéticos pensadores patriarcais demosntraram um medo histérico dele. As Leis de Manu dizem que se um homem se aproximar de uma mulher menstruada irá perder sua energia, sabedoria, visão, força e vitalidade.O Talmud diz que se uma mulher menstruada andar entre dois homens, um dos homens certamente irá morrer. Pela regras dos Brahmans o homem que tiver contato íntimo com uma mulher menstruada irá sofrer uma punição mais severa que a punição para os Brahmanicídio, que é o pior crime que a Brahman pode imaginar. Os mitos Védicos foram deignados para dar apoio á lei, assim como o mito de que Vishnu ousou copular com a Deusa Terra enquanto ela estava menstruada, e que por isto deu á luz monstros que quase destruiram o mundo.

   Esta era a propaganda patriarcal contra o Maharutti Tântrico (“Grande Rito”), no qual o sangue menstrual era o ingrediente essencial. No templo-caverna de Kali, a sua imagem jorra o sangue dos sacrifícios do seu orifício vaginal para banhar o falo sagrado de Shiva enquanto as duas divindades formam o lingam-yoni, e os devotos acompanham em súplica, em uma orgia planejada para dar apoio à força de vida cósmica gerada pela união de homem e mulher o branco e o vermelho. Neste Grande Rito, Shiva se torna o Primeiro Ungido, assim como a sua contra-parte Meio-Oriente. A tradução Grega para o Primeiro Ungido é Christos. Patriarcas Persas seguem a liderança Brahman em sustentar que mulheres menstruadas devem ser evitadas igual a veneno. Elas pertenciam ao diabo, eram proibidas de olhar para o sol, de sentar-se na água, de falar com um homem, ou de contemplar o fogo do altar. Um relance de olhar de uma mulher menstruada era temido como um olhar da Górgona. Zoroastrianos crêem que qualquer homem que deitar com uma mulher menstruada poderia gerar um demônio, e seria punido no inferno por ter derramado sujeira de sua boca.

   
   A religião Persa incorporou as crenças dos povos primitivos que a primeira, o início da menstruação foi causada pela copulação com um serpente sobrenatural. As pessoas ainda não informadas sobre a paternidade supuseram que a mesma serpente tornava as mulheres férteis, ajudava-as a conceber a criança. Algumas destas crenças prevaleceram na Creta Minóica, onde mulheres e serpentes eram sagradas, mas os homens não. Línguas antigas davam a serpente o mesmo nome que Eve, cujo significado é “Vida”;e a maioria dos mitos antigos mostram o casal primal não como Deusa e um Deus, mas uma Deusa e uma serpente. O útero da Deusa era o jardim do paraíso no qual a serpente vivia. 

   Phrygian Ophiogeneis, “Serpente-nascida Gente”diz que o primeiro ancestral macho era a Grande Serpente que residia no jardim do paraíso. Paraíso era o nome da Deusa-como -Virgem, identificada como Mãe Hera (Terra), que em sua forma virgem era Hebe, a pronuncia Grega de Eve. A Virgem Hera concebeu por partenogênese a serpente oracular Python, do “Templo-útero,” Delphi. Serpentes morando nas entranhas da Mãe Terra,eram supostas de possuir toda sabedoria, estando em contato com o “sábio sangue” do mundo.

   Um dos segredos dividido pela mulher primordial e sua serpente era o segredo da menstruação. Persas afirmavam que a menstruação foi trazida para o mundo pela primeira mulher, que eles chamavam Jahi a Prostituta, uma desafiadora como Lilith, do Pai Celestial. 

   Ela começou a menstruar pela primeira vez depois de copular com Ahriman, a Grande Serpente. Depois ela seduziu “o primeiro homem honrado,”que anteriormente vivia sozinho no jardim do paraíso e somente por companhia o divino touro sacrificial. Ele não sabia nada de sexo até Jahi ensiná-lo. ( comparar ao mito de Mithra- obs. Nádia).

   Os Judeus emprestaram muitos detalhes destes mitos Persas. A tradição rabínica dizia que Eve começou a menstruar somente depois que ela copulou com a serpente no Éden, e Adam era ignorante de sexo até Eve ensiná-lo. Foi muito acreditado que o primeiro filho nascido de Eve,Caim, não foi gerado por Adam mas pela serpente. Crenças ligando serpentes com gravidez e menstruação apareceram através da Europa por muitos séculos. Chegando aos tempos modernos, camponeses alemães ainda pensavam que mulheres poderiam ser fecundadas por serpentes. 

   Seja que tenha sido iniciada por uma serpente ou não, derramar sangue inspirava um medo mortal entre patriarcas Persas e Judeus (Leviticus 15) . Rachel roubou com sucesso o teraphim (deus da família) de seu pai porque ela escondeu-o sobre a sela do camelo e sentando-se nele, falou ao pai que estava menstruada e ele não ousou aproximar-se dela (Gênesis 31). Atualmente Judeus ortodoxos se recusam a cumprimentar uma mulher porque ela poderia estar menstruada. Existem muitos tabus similares. A poção mais temida do mundo antigo era a “lua-bálsamo” coletado por bruxas da Tessália, e que era o primeiro sangue menstrual de uma garota derramado durante um eclipse da LUA.

   Plínio dizia que o toque de uma mulher menstruada poderia murchar frutas do campo, azedar vinhos, enevoar espelhos, enferrujar o ferro e cegar as facas. Se uma mulher menstruada colocar a mão numa colméia, as abelhas iriam embora e numca mais voltariam. Se um homem deitasse com uma mulher menstruada durante um eclipse, ele logo ficaria doente e morreria. Cristãos herdaram dos antigos patriarcas superstições horrorosas. St. Jerome escreveu: “Nada é tão impuro que uma mulher nos seus períodos; o que ela tocar ficará impuro”. Regulamentos penitenciais do séc. 7 impostas por Theodore, Bispo de Canterbury, proibia mulheres menstruadas de tomar a comunhão ou mesmo entrar na igreja. Do séc.8 ao séc.11, era lei das igrejas proibir o acesso de mulheres menstruadas nas igrejas. Até mesmo em 1684 ainda era o costume que mulheres menstruadas ficassem do lado de fora da igreja. A superstição chegou ao século 20, quando um texto médico Escocês citou uma velha rima com a repercussão de que o sangue menstrual poderia destruir o mundo inteiro: 

   Oh! Mulher menstruada, tu és um diabo
   Do qual toda natureza deveria ser rigorosamente resguardada.


   Autoridades médicas do séc. 16 ainda repetiam a velha crença de que “demônios eram produzidos pelo fluxo menstrual”. 

   Mulheres cristãs foram ordenadas a desprezarem a “sujeira” de seus próprios corpos, como em uma Regra para os Anacoretas (ermitãos): “ Não é você formada do limbo da alma? Não é você sempre cheia de sujeira?.

   Autoridades médicas do século 16 ainda repetiam as velhas crenças que “demônios eram produzidos pelo fluxo menstrual”. Um dos demônios nascidos do sangue menstrual era o lendário basilisk com seu olhar venenoso. A lenda evidentemente nasceu do clássico mito da Górgona com seu cabelo de serpente e olhar sanguíneo,que petrificava os homens pelo seu olhar. A Górgona e a cruz vermelha do sangue menstrual eram antes a marca dos mais potentes tabus, do Polynesian “tupua”, sagrado, mágico, aplicado especificamente para o sangue menstrual.

   
   Assim como os primitivos atribuíam poderes benéficos para o sangue menstrual junto de seu temor á ele, camponeses medievais pensavam que ele poderia curar, alimentar, fertilizar. Alguns acreditavam que uma mulher menstruada poderia proteger uma colheita andando em torno do campo, ou expondo seus genitais á ele. Mulheres camponesas carregavam sementes para os campos, em trapos manchados com seu sangue menstrual: uma continuação do costume das sacerdotisas da fertilidade Eleusianas. Alguns doutores acreditavam que este sangue poderia curar leprosos, ou agir como um poderoso afrodisíaco . Ciganos diziam que uma mulher pode ter o amor de qualquer homem com uma poção de seu próprio sangue menstrual. Como um mediador da reencarnação, este sangue era algumas vezes chamado como remédio para a própria morte. Romances foram associados a este universal cura-tudo como o “sangue de uma virgem nobre”, como uma sábia mulher revelou para Galahad. O mesmo impeliu Luís XI a tentar afastar a morte bebendo o sangue de uma adolescente . Superstições Vitorianas pensavam que uma criança concebida durante um período menstrual poderia nascer com a placenta, e teria poderes ocultos. Os médicos do séc. 19 herdaram de seus antecessores noções de feitiçaria e do mal, e mantiveram a idéia de que mulheres menstruando não era saudável; e copular com elas poderia infectar o homem com uretrite ou gonorréia. Dr. Augustus Gardner dizia que doenças venéreas eram passdas de mulher para homem e não vice-versa. Falando sobre os tabus menstruais dos primitivos, antropologistas discrevem as mulheres como “fora de controle”, “sofrendo de doenças menstruais”, ou “derrubadas com a malatia comum ao seu sexo”. Um médico escreveu neste século “Nós não podemos deixar de enfatizar a importância destes retornos mensais como períodos de pouca saúde, dias que as ocupações normais devem ser suspensas ou modificadas”. Em nossos dias assim como na Idade Média, a igreja Católica que ainda considera a si mesma uma firme instituição teológica em avanço ,tem como argumento contra a ordenação das mulheres, a noção de que a sacerdotisa ( madre) poderia poluir o altar. Isto não impede a ordenação de mulheres pós menopausa, mas diferentes desculpas são achadas para isto. O sagrado “sangue da vida” usado para ser feminino e real; agora é masculino e simbólico. “

   Riane Eisler ainda afirma: “. . . eram impiedosamente perseguidos pelas autoridades da Igreja os que rejeitavam a noção de que a mulher é de uma ordem inferior e não espiritual, o mesmo acontecia com as chamadas feiticeiras e outras mulheres que se apegavam a vestígios da adoração pré-histórica de uma Grande Deusa e de seu filho divino, o Deus Touro ( que se tornou o diabo de chifres na iconografia cristã).” 

   Não é difícil de perceber como a mulher deixou de reconhecer em si mesma o princípio divino. Quanto ao touro tenho lido muitas referências sobre os planetas que estarão alinhados no signo de touro em maio, mas se a astrologia bebe em fontes mitológicas, não podemos ignorar: o mito da Deusa e do Touro, de Ísis e seus touros sagrados (Serapium), de Mitra (deus solar Persa) e seu touro sacrificial, do Minotauro ser híbrido gerado por uma humana e que também foi sacrificado, Zeus- touro e Europa. A astrologia designa o signo de touro como nutrição, sustento, bases econômicas, a mitologia se refere á isso e também á fertilidade e ao sangue sacrificial . 

   Em algum momento o símbolo do sangue menstrual (símbolo do feminino divino - geração da vida) representado como símbolo em sangue sacrificial, degenerou-se e perdeu-se a noção do símbolo. Podemos observar essa transferência de poder através do sangue sacrificial do touro(símbolo de potência masculina) sagrado. Em algum momento as mulheres ainda tinham consciência de sua parte divina(período neolítico) e a humanidade fez a transição de sistema econômico e de sistema social “o sistema de parceria” para o sistema de dominação, vigente em nossos dias.O arcano da lua guarda “o mistério lunar” de nossas irmãs distantes, que a taróloga Bárbara Walker soube tão bem descrever neste belo texto.

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