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Tarô,
símbolos egípcios ou europeus?
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1º
Simpósio de Tarô em São Paulo - Data: 31/03/2007
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Detalhamento histórico para o Simpósio de tarô
Os símbolos egípcios
Que são os símbolos
egípcios e porquê se afirma que o tarô teria chegado até os dias atuais através
do antigo egito?
Porque escolheu-se o Egito e não a Índia ou a
China ou outros lugares tidos como também exóticos como a pátria do
tarô?
O Egito foi uma incógnita por séculos, seguindo
desconhecido após a fim da dinastia Ptolomaica e príncipio do domínio pelo
Império Romano - seguiu desconhecido e um mistério para os viajantes que passavam
pelo Egito e viam em todos aqueles símbolos gravados nas estátuas e nos templos
sinais de algo oculto e fantástico. Aqueles sinais e símbolos seguiram em
silêncio por séculos até que Napoleão resolveu invadir o Egito em 1798 e levou
estudiosos como Champollion e Rossellini entre outros para decifrarem os
hieróglifos e estudarem a arte egípcia.
O que acontecia na França nesta época?
Os estudiosos principalmente monges e cientistas tinham entrado em
contato com a língua copta a língua mais próxima dos hieróglifos uma variante
do demótico e assim muitos deles estudavam a língua copta e entre eles
Athanasius Kircher (que escreveu o primeiro dicionário copta em 1636)
Jean François Champollion estudou a língua copta e também editou um dicionário
na língua copta, que o ajudou a decifrar posteriormente a pedra de Rosetta, ele
afirmava que: - "quero conhecer o copta tão bem quanto o francês". Esta tábua ou
pedra de Rosetta continha três forma de escrita: o hieróglifo, o grego e o
demótico.
Mas
estes primeiros estudos lnguísticos apenas auxiliariam a coompreender
superficilamente o Antigo Egito. O que faria diferença foi estar entre os
inúmeros 167 cientistas e estudiosos que Napoleão enviou ao Egito e assim poder
decifrar os hieróglifos e colher dados reais sobre o Egito Antigo , um trabalho
que foi levado a cabo por vinte anos e que pode-se dizer foi a maior das
vitórias de Napoleão Bonaparte. Todo o trabalho destes corajosos homens, muitos
deles muito jovens vivendo em terras totalmente estranha e inóspita, foi
compilado no livro "Description De L´Egypte" - 1802 - trazendo esta importante
civilização á luz da humanidade e desmistificando muitas coisas compreendidas
como mágicas e misteriosas pelos viajantes que lá se aventuravam antes, desde o
tempo dos gregos, entre eles, Heródoto.
E foi durante a decifração
de incontáveis papiros e das escritas nos templos que se criou muitas fantasias
em torno do mundo egípcio como por exemplo a venda do pó de múmia como remédio
para diversas doenças, e acreditava-se que a língua egipcia era a primeira
língua da primeira civilização, uma língua primeva e divina. Imaginemos por
esta afirmação o quanto aquelas figuras com cabeça de animais, os gigantescos
obeliscos e estranhas figuras nos templos deslocados para a França despertou a
fantasia e a imaginação de todos que entravam em contato com a civilização
adormecida á margem do Nilo.
Uma civilização totalmente voltada
para o divino surge mostrando um povo que vivia sob arte, escrita e idéias
rígídas , hierárquicas e estáticas, sofrendo mínimas modificações em sua
estrutura religiosa e social durante milênios ( por exemplo as mudanças que
tentou fazer Akhenaton) , apesar de seu contato externo com os outros povos. Uma
sociedade voltada a conservar e manter os aspectos do divino em todos os
aspectos da vida, inclusive dentro de si. Segue o povo egípcio sendo resistente
assim até os dias atuais ,com pouco tempo de convivência com eles, sendo um
observador cuidadoso, percebe-se que eles tem uma resistência as mudanças e eles
darão rápido um jeito para que você entenda que o jeito deles é sempre o melhor
a ser seguido.
Os símbolos ou o alfabeto hieroglífico - A Arte egípcia
A arte egícpia era uma arte dogmática e estática, o
artesão e o escriba - tinham pouca ou nenhuma possibilidade de criação própria
e tudo estava sob o rígido esquema da deusa Maât - a ordem universal - A arte
era transmitida como um código limitado e burocrático que passou através de
gerações - onde eles se integravam a esta ordem universal.
O
alfabeto hieroglífico chegou ao Egito através dos Sumérios, o alfabeto
hieroglífico se manteve praticamente o mesmo até que o Egito deixou de ser uma
entidade cultural. E estudiosos comprovaram que foi através do encontro e do
acréscimo de idéias dos outros povos como os cananeus, fenícos e gregos que esta
escrita se transformou no que hoje temos como nosso alfabeto atual. Os sinais
utilizados expressam idéias , objetos e sons vocais. Utilizavam o princípio do
Rebus, do latim "non verbis sed rebus" isto é - não por palavras, mas pelas
coisas.
A arte mescla-se com os símbolos ambos inseridos um no outro
servindo o divino.
Temos então os simbolos divididos em
três partes: O Alfabeto hieroglífico; Os símbolos
determinativos; Os símbolos usados para pesos, números e
medidas.
Os egípcios colocavam os determinativos no fim
da palavra enquanto os sumérios o colocavam no começo. Os sumérios escreviam
vogais e consoantes juntas e os egípcios melhoraram para consonates individuais,
formando os sinais alfabéticos de 24 letras , ultrapassaram de 700 sinais
conhecidos , os determinativos ou complementos fonéticos.
Tarô X Egito
Aqui vamos fazer algumas
reflexões quanto as semelhanças que suponho imaginou Gebellin ao observaram o
tarô, se o tarô tivesse origem no Egito ele não poderia ser também lido de trás
para a frente e em todas as direções? saberia Gebellin disto?
Gebellin publica por volta 1780 um livro chamado Le Mond Primitif onde afirma a
origem do tarô no Egito, porém após a publicação da compilação feita sobre o
Egito pelos estudiosos de Napoleão , muitas das suas suposições sobre o Egito
foram retificadas, principalmente sobre os hieróglifos, porém parece que isto
não maculou o prestígio dele entre os franceses e ele continuou sendo citado
posteriormente em outras obras.
Esta atitude é compreensível
se compararmos eles com o nosso século, onde temos menos dificuldade em estudar
o Egito em profundidade, os livros são bastante dispendiosos
considerando que deve-se ler inúmeras obras sobre o assunto e muitas delas estão
escritas em outras línguas Ideal seria fazer uma pesquisa "in loco", ocupando
distância, tempo, dinheiro, onde estes serão os primeiros impecilhos a serem
transpostos e Infelizmente já faria muita gente optar pelo que está pronto e nem
sempre como você pode ler pelas afirmações acima foram todas as informações 100%
confiáveis.
Neste século de Gebellin e Napoleão,
Champollion e Rossellini já era moda a cartomancia, feita com o que conhecemos
como arcanos menores e pelo visto a cartomancia que era feita com as cartas
ciganas. São cartas com figuras muito diferentes do tarô.
Mas
se ainda iriam revelar o Egito em 1802 ao mundo, não é correto dizer que tudo
que ele escreveu por volta de 1780 foram suposições e nada mais que
isto? Leia mais sobre o egito X tarô em nadiagreco.com/tarot.html
Sobre as direções dos símbolos
e da escrita:
Os símbolos egípcios podem ser escritos em todas as
direções, porque os sinais se voltam para a direção da escrita. Os escribas
tiravam proveito da engenhosidade linguística para fazerem mensagens cifradas,
teria sido esta idéia outra suposição de Gebellin ? teria conseguido enxergar
tão longe? Ou apenas sofreu influências dos rituais maçônicos em suas
suposições? Os egípcios praticavam uma complexa iniciação ritual para poderem
entrar em contato com as palavras do mundo divino, mas complexo demais para ser
comparado ao tarô.
Me refiro aos dois porque são os mais
citados entre os estudiosos de história do tarô quando falam da influência
egípcia com o tarô. Ambos estudavam história e línguas porém Gebellin era muito
mais prestigiado e conhecido que Anasthasius
Mas acaso o
tarô tivesse surgido no antigo egito , como explicar que na gramática egípcia
existem mais de 700 sinais além dos 24 do alfabeto, e escolheriam só 22 figuras
para representar no tarô? Compare o alfabeto de 24 letras do egipcio antigo e
as cartas do tarô e reflita.
A arte era um sistema de comunicação, uma
arte que servia aos deuses e ao faraó,onde se manteve a mesma por séculos,
observem que os egípcios pensavam o tempo de uma forma estática e não linear, -
observemos o ciclo do sol nascendo e morrendo todos os dias, como se todos dos
dias fossem um mesmo dia, não é de se admirar que fizessem imagens tão
rígidas.
Aqui colocamos outra interrogação: - é o tarô um sistema
linear? e não serve a arte no tarô tanto a fins mundanos quanto á
divinos?
Os símbolos nos papiros
OS antigos egípcios descobriram como fazer papel com a
planta do papiro e também usavam o cuneiforme para trocarem informações e
relações diplomáticas internacionais.
Com a descoberta do papiro,
tornou-se a escrita mais flexível e começaram a usar uma escrita chamada
hierática, que foi se tornando mais cursiva e era usada por escribas e
sacerdotes , comerciantes e civis.
A escrita teve pequenas
modificações, uma delas foi após o fim do Novo Império - dinastia Saíta -
desenvolveram uma escrita popular o demótico - os Ptolomeus a chamavam de
nativa. Os acadêmicos modernos afirmam que quanto mais se tornou cursiva mais
difícil é de decifrar a escrita.
Os egípcios na maioria eram
iletrados, os faraós e aristocratas eram semiletrados porque necessitavam fazer
despachos diplomáticos, mas quem detinham mesmo o conhecimento da escrita eram
os escribas e sacerdotes.
Estes chegaram, no fim do Império egípcio, a
abusar deste conhecimento usando de citações mágicas para reafirmarem o seu
poder sobre o povo , pois apenas eles sabiam ler estes textos.
Estas
fórmulas mágicas são encontradas principalmente após a décima segunda dinastia
em diante . O escriba que tinha como seu deus pessoal THOT - representado por um
babuíno ou por cabeça de íbis, usava da natureza religiosa dos homens para
colocar-se como uma classe muito especial, importante e indispensável para o bem
estar e ordem desta sociedade burocrática e religiosa.
Uma
inovação em literatura escapando do tipo fixo e rígido dos textos funerários
foi a invenção do conto no Medio Império.
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O texto das pirâmides -
antigo império O texto dos sarcófagos - médio império
O
Livro dos Mortos ou livro de Sair á luz - novo império O livro da
atravessia da eternidade.
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As orações simples e a comunhão
direta com deus foram substituídas por fórmulas encantatórias. Algo assim como
a venda das indulgências na idade média.
Alexandre, o grande se
estabelece no Egito e adapta seus deuses aos do egito e inicia a construir
templos para eles, como o de El- Fayoum por volta de 300 a. C. e os romanos
seguem este modelo e exportam o culto de Ísis para o mundo romano, como o templo
de ìsis em Pompéia - 79 d. C.
A religião copta
Os símbolos então
progrediram até a lingua copta que sobreviveu ao árabe praticamente do séc III
até o VI d. C. se manteve como língua falada e escrita e depois usada somente
como uso litúrgico, se tornando arcaica.
A herança para os cristãos
foram várias , tais como a idéia da Tríade, a do bom pastor e seu rebanho, em
Alexandria o cristianismo se enraizou , aqui vemos abaixo
foto de
catacumba em Alexandria mistura de tendências cristãs, gregas e egipcias e
fotos ddo desenvolvimento dos símbolos egípcios - anúbis pesando as almas para
os do anjo gabriel
Retornamos agora a época de 1800 quando o Egito era
a moda do momento na Europa; filmes, livros, museus, turismo e toda a sorte de
coisas ligaram-se ás idéias egípcias. As sociedades ocultas davam um novo sabor
á busca religiosa do homem, após viverem sob os séculos de opressão religiosa e
da inquisição.
Aderiram todos ao esplendor hipnótico do Egito, coisa
que acontece até os nossos tempos atuais. Quem de nós consegue de lá voltar
indiferente á beleza e perfeição da arte e religião egípcia?
Neste período do séc. XVIII a sociedade progredia lentamente entre afirmações
obscuras e fantasiosas sobre o egito e o mundo e os estudos impecáveis e
primorosos dos primeiros egiptólogos e cientistas.
Podemos afirmar com
toda a certeza que a humanidade redescobriu desde 1802 um pouco da sua própria
glória, trazendo á luz a compreensão da cultura egípcia no mundo, uma cultura
que nos legou parte de tudo que usamos no nosso mundo moderno, que nos foi
transmitido através dos gregos e romanos , mas que foi pensada muito antes, pelo
povo egípcio.
Leia mais informações sobre o Egito em nadiagreco.com/viagens
Texto realizado no outono de 2007 por Nadia Greco
Bibliografia:
Manifesto do tarô - Nei Naiff (muito
importante esta leitura) Leia em www.neinaiff.com
Todos os livros
editados por Nei Naiff sobre o tarô Description De L´Egypte - Edition
Complete Egitomania - Planeta DeAgostini - diversos volumes
Coptic Egypt - The Christians of the Nile - Christian Cannuyer
Todos os
livros sobre o egito - estudos, pesquisas e romances do autor - Christian
Jacq El Antiguo Egipto - David P. Silverman The Art of Tarot -
Christina Olsen História Ilustrada do Egito Antigo - Paul Johnson Brera - I Tarocchi - Il caso e la Fortuna Petrarca - Dante - Bicaccio -
Editora Verbo Revistas Medioevo e Archeo - DeAgostini
A divina Comédia
- Primeira edição em português Coleções de vídeo sobre o Egito - Antigo
History Channel - edições em Espanhol e Português
Sites sobre arqueologia
www.clubedotaro.com.br
www.egiptomania.com.br
www.direcaocultura.com.br
Viagens de estudos empreendidas desde 1985 a 2007
Itália
- Roma, Pompéia, Herculanum e Sícília Egito - Grécia e Turquia
Portugal e Espanha
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